![]()
Quem mais vende veículos no Brasil ???
Este representa sem dúvida, um forte argumento comercial, pois estar na primeira posição no ranking de vendas de veículos, significar atestar a confiança do consumidor, depositada em seus produtos.
Por vários anos a VW deteve a posição de número um em volumes de vendas. No início de suas operações, quando o Fusca era o carro nacional de maior volume de produção a mesma chegou a responder por 80% dos volumes de vendas locais. Competia com modelos importados e oferecia ao mercado o chamado “carro do povo”.
No início dos anos 70, esta porcentagem de vendas locais beirava a casa dos 60% devido à chegada de novos concorrentes (leia-se Ford e GM).
Nos anos 80 mais uma forte concorrente instala-se no País (leia-se Fiat) e a partir desta o cenário mudou bastante.
Em 1994 a Fiat já detinha 31% de participação do mercado, representando o seu melhor momento em nosso mercado. As duas maiores montadoras de automóveis do mundo, nunca alcançaram tal participação em nosso mercado. A GM obteve a sua melhor marca histórica em 1989 com 30,3% de participação e a Ford obteve 21,1% de participação em 1984.
De apenas 4 montadoras no passado, hoje possuímos 25 montadoras locais produzindo 29 marcas de veículos. O ano de 1997 representa o nosso recorde histórico em volume de produção, com 2.1 milhões de unidades produzidas. Deste total perto de 1.9 milhões de unidades foram comercializadas internamente. De 1994 até 2002 foram investidos no segmento automotivo local mais de 27 bilhões de dólares representando um amento de nossa capacidade produtiva local para 3.2 milhões de veículos / ano. Se considerarmos que em 2003 nossa meta prevista de vendas domésticas não passará de 1.4 milhões de veículos e ainda que vamos exportar perto de 500 mil unidades, nossa ociosidade da cadeia produtiva chega próxima dos 40%.
Em 2001 e 2002 a Fiat ocupou a primeira posição em volumes de vendas. Na segunda posição apareceu a VW.
Em 2003 o cenário ainda é pior para a VW que aparece na terceira posição, agora atrás da Fiat e da GM. Com certeza existem explicações para isto e talvez a melhor delas seria o foco de vendas em um produto que sempre foi o campeão do mercado (Gol). Num mercado mais competitivo, não se consegue viver da fama, por muito tempo. O Gol ainda continua sendo o carro mais vendido de nosso mercado e na mesma proporção é um dos modelos que mais perde participação no segmento em que atua. Os novos produtos VW (família Polo e VW Fox) representam importantes armas da montadora nesta retomada de mercado.
Caso Ford: em 2001 a Ford quase perde a sua quarta posição de mercado para a recém chegada Renault. Neste momento chegou a ter 7,8% de participação de mercado. Muito deste resultado negativo é atribuído ao momento Autolatina, quando VW e Ford uniram-se visando uma maior competitividade de mercado. Ambas perderam, pois este período corresponde ao melhor posicionamento e crescimento da concorrência(GM e da Fiat). Ainda assim a montadora americana vem trabalhando para uma recuperação de mercado e muito desta estratégia tem sido resultado do grande sucesso de vendas de seus recentes modelos Ford Fiesta e Ford EcoSport. Nas parciais de 2003 a Ford já apresenta uma porcentagem de 12% das vendas de nosso mercado.
Mais do que estar bem posicionada no mercado, talvez o que mais seja importante é quanto se ganha de dinheiro no negócio de automóveis.
Um estudo recente de uma importante consultoria, focada na industria automotiva mundial mostra que a Porsche representa a montadora mais traz mais resultados para os seus acionistas. Tal feito é justificado por produzirem carros considerados como o “estado da arte” no segmento automotivo, operando de certa forma, no conceito de produção de veículos, em maiores escalas e sem deixar de oferecer o “status” que a marca representa. Tanto é verdade que recentemente a montadora alemã passou a produzir, além de seus modelos esportivos, veículos para o segmento dos Utilitários Esportivos, aumentando ainda mais a sua eficiência produtiva e o seu portifólio de excelentes produtos.
Das Empresas que produzem veículos em grandes escalas, três importantes Organizações japonesas aparecem no ranking das mais rentáveis. São estas Nissan, Honda e Toyota.
Podemos até referenciar a receita de sucesso destas montadoras, com exemplos em nossa industria local.
Nos anos de 2001 e 2002 o Honda Civic passou a ocupar a posição do modelo Sedan mais vendido em seu segmento. Parece pouco, mas teve que desbancar um campeão de vendas local: GM Vectra.
Em 2002 a Nissan lança sua família de pick-ups Frontier e mais recentemente em 2003 oferece ao mercado o seu já consagrado sucesso de vendas, a nova Nissan Xterra. Ainda que estes modelos não ocupem as primeiras posições de vendas em seus segmentos, a concorrência já fez um reposicionamento de seus produtos frente à chegada destes.
Em 2003 a Toyota está reinando absoluta, com seu novo modelo Corolla, no segmento dos Sedans. Só como comparativo até junho deste ano, foram comercializados mais de 15 mil veículos, enquanto o seu concorrente mais próximo não passa da casa das 9 mil unidades.
Outro exemplo deste sucesso da Toyota: recentemente a montadora ultrapassou as marcas de veículos GM e a Ford, em volumes de vendas, no mercado americano. Pela primeira vez na história, uma marca estrangeira lidera o ranking de vendas, daquele segmento de mercado, que representa o maior mercado de automóveis do mundo, com uma previsão de vendas de 17 milhões de veículos neste ano. É algo próximo a 11 vezes o tamanho de nosso mercado de veículos. Vale lembrar que a GM é detentora de outras 10 marcas de veículos e a Ford é dona de mais 8 marcas. Este agrupamento de marcas ainda deixa a GM (corporação) na primeira posição de vendas, no mercado americano. O mesmo acontece com a Ford, ocupando a segunda posição naquele mercado.
O que tudo isto interessa, a nós consumidores ???
Independente de quem está em primeiro, em segundo ou em terceiro lugar, o que mais nos interessa é que no mínimo possuímos melhores produtos, mais opções de compras, preços mais competitivos, melhores níveis de serviços na pré-venda e no pós-vendas, planos de fidelização dos Clientes junto às marcas, respeito ao consumidor / Cliente, etc, etc.
Ainda vivemos um problema de conjuntura econômica que nos coloca com um pequeno poder aquisitivo, considerando o preço final de um automóvel. Mas não há como negar que atualmente somos muito mais bem servidos, em relação há anos anteriores. Saímos da condição de produtores de “carroças” para a manufatura de “veículos globalizados”. Vários modelos aqui produzidos são exportados com sucesso, para os grandes mercados mundiais.
Ainda que um importante e respeitado executivo, de uma grande montadora local, referencie sempre que carro popular (aquele com motor 1.0) e jabuticaba só existam no Brasil, estamos no caminho certo. Com a redução da carga tributária (diminuição do IPI e outras solicitações por parte da industria), a tão esperada retomada do desenvolvimento local, programas de renovação de frotas, programas de inspeção veicular, programas de financiamentos populares, maiores incentivos à exportação, acordos internacionais de livre comércio, maiores volumes de produção, geração de novos empregos, mais e mais consumidores terão condição de adquirir os seus veículos.
Resta saber como serão tratados os investimentos em infra-estrutura para suportar este aumento da frota nacional de veículos.......
Nelson LRC Bastos
Idealizador e responsável pelo site www.automoveldicas.com.br
(Out / 03)